sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Crise

A nota que reproduzo aqui é com certeza muito interessante, porque demonstra o que os trabalhadores já sabem, que atrás desta crise que de fato existe, há muitos empresários querendo tirar proveito, se utilizam de uma oportunidade impar, para colocar a sua agenda de reformas e flexibilização dos direitos trabalhista. Dados reais demonstram que as indústrias ainda não contabilizam prejuízos por conta da crise, que no máximo houve uma queda nos lucros, que, diga-se de passagem, são gordos, para não utilizar o termo exorbitante. Portanto o que parece é que a crise serve para os oportunistas de plantão em dois aspectos. Primeiro: Pressionar o governo por mais dinheiro, redução de impostos e dinheiro fácil, para engordar mais os seus lucros. Segundo: Retirar direitos, congelar salários.


NOTA DA CTB-RS

Flexibilização trabalhista não garante empregos

A atual crise econômica mundial acabou caindo no colo dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. Em dezembro o Ministério do Trabalho registrou cerca de 600 mil demissões.

Segundo o jornal Estado de São Paulo, as demissões foram provocadas pela queda nas vendas e grandes estoques. O “Estadão” aponta, ainda, que a indústria brasileira pretende reduzir um terço o número de empregados até o próximo mês. Além das demissões, cerca de 150 mil trabalhadores estão em férias coletivas.

Numa tentativa de reaquecer a economia do país, o Governo brasileiro anunciou medidas para desonerar o setor automotivo e estimular o consumo, como a redução do Imposto de Renda para Pessoa Física. A equipe de Lula também busca medidas para acalorar o setor da construção civil, como a elevação do valor do financiamento habitacional com a utilização do FGTS e a redução de impostos para os materiais de construção.

Diante da crise e da retração dos postos de trabalho, Paulo Skaf, presidente da FIESP (Federação da Indústria do Estado de São Paulo), reuniu o Conselho Superior Estratégico e representantes da Cia. Vale do Rio Doce, Embraer, Votorantim, Gol, Gradiente, entre outros, para debater o tema.

A reunião produziu três propostas, sendo elas, a redução da jornada de trabalho e do salário dos trabalhadores em até 25%, redução da taxa de juros (13,75% para aproximadamente 8%) e diminuição da carga tributária. Segundo a Fiesp, em conjunto com outras federações patronais e a Força Sindical, tais medidas visam a garantia do emprego no país.

A CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil entende que a redução drástica da taxa de juros é uma medida importante e, por isso, apóia tal proposição. Entende ainda que é possível discutir-se a diminuição da carga tributária afim de dinamizar setores produtivos da economia brasileira.

Entretanto, a CTB se posiciona frontalmente contrária à redução salarial dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. 'É inaceitável que, mais uma vez, os trabalhadores brasileiros paguem a conta da crise, enquanto os grandes empresários ainda comemoram os recordes de venda, produção e lucros, como no caso da indústria de automóveis.

Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - Rio Grande do Sul

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

2009

Faço uso deste espaço, para desejar a todos que acessaram este blog em 2008, qe deixaram seus comentários, que mandaram e-mail, elogiando ou até mesmo fazendo críticas. Um Feliz 2009, que seja um ano de muita paz, muita alegria, muita luz e porque não dizer de muita luta e também de muitas conquistas! Um grande abraço a todos! Darci Rocha

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Vitória

O Cio da Terra

Milton Nascimento
Composição: Milton Nascimento / Chico Buarque

Debulhar o trigo
Recolher cada bago do trigo
Forjar no trigo o milagre do pão e se fartar de pão
Decepar a cana
Recolher a garapa da cana
Roubar da cana a doçura do mel, se lambuzar de mel
Afagar a terra
Conhecer os desejos da terra
Cio da terra, propícia estação De fecundar o chão.


No próximo dia 18 de dezembro estará acontecendo à entrada triunfal dos trabalhadores do Movimento Sem Terra na fazenda SOUTHALL, no Município de São Gabriel, Rio Grande do Sul. Digo triunfal, pois a chegada é histórica, resultado de luta incessante destes companheiros. Com seus objetivos claros e tendo sempre como horizonte a conquista da terra, considero uma grande conquista dos movimentos sociais, que sempre estiveram lado a lado com esses companheiros.
E não poderia ser diferente. Todos nós, que fizemos parte desta luta, entendemos que a distribuição da terra, o incentivo a agricultura familiar é fundamental para que a sociedade avance, com justiça social. Acreditamos em desenvolvimento sustentável com justiça social e não no agronegócio que superexplora e concentra a riqueza nas mãos de poucos. A desapropriação desta fazenda significa um marco importante em uma região dominada pelo latifúndio e exploração que se perpetuaram ao longo dos anos. Estas terras, antes improdutíveis, irão para mão de camponeses, que vão produzir leite, feijão, arroz, carne, ovos, batata, mandioca, entre tantos outros alimentos que fazem parte da mesa dos gaúchos todos os dias.
E pensar que as madeireiras estavam na concorrência desta área para produzir eucaliptos e outras arvorem exóticas. Se isso ocorresse, a área deixaria de ser aproveitada para a produção de alimentos, para se transformar no futuro em um deserto verde, como ocorreu em outras regiões do país onde as papeleiras se instalaram e degradaram o meio ambiente. Penso que não é exagerado dizer que a vitoria não é só do MST, dos movimentos sociais, mas ela é sim uma vitória da sociedade gaúcha bem intencionada, que ama essa terra e que quer o melhor para os seus filhos.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

A crise

Vivemos uma das mais profundas crises econômicas mundiais, certamente depois de 29, esta é a maior a ser enfrentada por este sistema. Ouvimos e assistimos notícias de todos os continentes da preocupação dos governantes com essa crise, pacotes trilhonários de injeção de dinheiro do estado para garantir a liquideis e evitar a quebra de bancos públicos e privados. No mínimo nos causa estranheis é de se perguntar onde estão os liberais? Cadê o senhor dos senhores, o mercado que se auto regula, que irriga e dá conta da economia. Cadê os defensores do estado mínimo, por onde anda os defensores e apologistas do ALCA. Cadê os privativistas de plantão, pois no primeiro solavanco correm para se socorrer do estado. Certamente os estados terão que socorrer esses parasitas que vivem de especulação, mas como o sistema é constituído assim, não tem outro jeito, lá se vão às reservas cambiais feitas com o sacrifício do povo, para salvar essas chamadas instituições, o que nos resta é perguntar depois de saneadas e a salvo ficarão com quem? Certamente serão devolvidas para os mesmos continuarem a exploração do nosso povo

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Nosso Brasil

Gasolina Super na Argentina o litro é 1,99 pesos (R$ 1,00)
Enquanto aqui...


Esta semana estive viajando pela metade sul do nosso Rio Grande do Sul e, em pouco mais de 100 km, fui abordado duas vezes pelo Exército Brasileiro que está fazendo uma pesquisa sobre as nossas estradas, questionando o fluxo de veículos, quanto se paga de pedágio, qual o motivo da viagem, entre outros.

Acredito que a intenção do Governo Federal é fazer um levantamento do custo- benefício das estradas pedagiadas, bem como apurar a necessidade de duplicação. Diante das condições das mesmas não há necessidade de pesquisa, pois dá para perceber a olhos nus que estão péssimas, apesar do alto custo.
A meu ver o governo brasileiro deveria solicitar uma licença do governo argentino para fazer uma pesquisa também no país vizinho e comparar àquelas vias com as nossas. Acredito que isso daria ótimo resultado. Para começar, comparar as condições das pistas, preço do pedágio, preço dos combustíveis, entre outros.

Vamos examinar alguns números do país vizinho: Gasolina comum na Argentina o litro é 1,99 pesos (R$ 1,00); Gasolina Super o litro 2,30 pesos (R$ 1,15); Gasolina Frangio especial o litro 2,89 pesos (R$ 1,45). Sem falar que o combustível lá tem alta qualidade, é puro, sem mistura.

Só para lembrar que a nossa gloriosa Petrobras exporta gasolina pura para a Argentina a preços módicos de R$ 0,65 o litro, enquanto nós pagamos em média R$ 2,69 por essas “garapas mixurucas”. E os pedágios? Na Argentina, as estradas pedagiadas tem terceira pista em muito boas condições e custa para cada 300 km o montante de 3,40 pesos ou R$ 1,70. Para nós gaúchos, é lamentável percorrer a mesma distância ao preço de R$ 28,00.
Entendeu agora porque sugeri a comparação?

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Eleições

Vivemos um momento, no mínimo, interessante no nosso país. Um período crucial pra todos nós. A eleição se aproxima e novamente assistimos nos meios de comunicação uma campanha contra a participação do cidadão que - de certa forma - contagia a todos. Político virou sinônimo de safado. A coisa não é bem assim. É verdade que existem políticos safados. Aqueles que se aproveitam desta mídia podre para colocar todos no mesmo saco, anestesiando a participação popular e política. Aliás, únicos meios que conhecemos para fazer a sociedade avançar em direção a justiça social. A mídia prega: “não tem saída”, ou “temos que escolher o menos pior”.
Será que não existem políticos sérios, bem intencionados e que realmente querem trabalhar por uma sociedade melhor, pessoas que acreditam na transformação desta sociedade, que almejam um mundo mais justo e igualitário para todos nós? Claro que sim. Mas é preciso ter mais cidadão de bem entrando na política, pois acredito que somente desta forma é que vamos transformar o que esta aí. Por outro lado é preciso que prestar a atenção, pesquisar o passado do candidato. O que e a quem ele defende. O cidadão deve ter consciência que o ato de votar é único e intransferível, delegar poderes para alguém cuidar dos interesses da população. Portanto nem pense em vender o seu voto. Valorize o importante ato de votar. Pergunto: - você contrataria alguém para cuidar dos seus interesses, alguém que você não conhece? Não procuraria saber sobre a sua idoneidade, da sua vida pregressa? Tenho a certeza que sim... Então vote consciente. Esta é a única forma de moralizar a política e transformar a sociedade!

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Nossa Esquerda

Caros companheiros (as) leiam com atenção a analise abaixo, sobre o que aconteceu com o Partido dos Trabalhadores, após a ascensão ao cargo maior da república, falo da eleição do nosso então companheiro Luis Inácio Lula da Silva, (Lula), dai podemos entender a falta de tesão por parte dos nossos militantes de ir às ruas nas Campanhas Municipais, para Prefeitos e Vereadores, Esta analise nos ajuda entender o esfacelamento de nossa esquerda que só na Capital, do estado do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, tem quatro candidatos a majoritária. Por outro lado, nos ajuda entender a proliferação de Centrais Sindicais, também no mesmo campo.

Boa Leitura:

A crise da esquerda

Escrito por Paulo Passarinho
14-Ago-2008
Após a queda do muro de Berlim – que já havia sido precedida por uma forte inflexão à direita dos partidos social-democratas europeus -, boa parte da esquerda mundial passou a observar com muita atenção, e esperança, a trajetória e a ação política do Partido dos Trabalhadores e de seus aliados de esquerda aqui no Brasil.
O Brasil é um país marcado por gritantes desigualdades sociais, fortemente pressionado por interesses do capital internacional, mas que, desde 1989, experimentava a polarização de uma frente de esquerda que se afirmava como alternativa real de poder.
Essa frente de esquerda foi também um instrumento importante de resistência à ofensiva neoliberal, que nos anos 90 empreendeu em nosso país o programa de mudanças ditado pelos interesses das grandes corporações financeiras transnacionais.
A realização dos primeiros Fóruns Sociais Mundiais, em Porto Alegre, reforçou ainda mais essa sensibilidade e crença da esquerda internacional
Contudo, a história que se deu a partir de 2002, ainda na campanha eleitoral que acabou por levar Lula à presidência da República, coroou o próprio ajuste do PT e de seus aliados à nova ordem. A história é por demais conhecida, embora haja graves divergências sobre o significado do que de fato ocorreu.
Para os que apóiam Lula, a busca de governabilidade, em meio à crise que se esboçou no ano eleitoral, justificou as posições assumidas pelo novo governo. Para os mais críticos, o novo PT foi apenas a conseqüência de uma metamorfose que se iniciara há alguns anos. Hoje, as evidências sobre a natureza da mudança ideológica e programática dessa frente – agora, acima de tudo, lulista – são gritantes. E tristes.
A principal liderança do PT depois do próprio Lula, José Dirceu – apresentado por muitos, no primeiro mandato do atual presidente, como o representante de um "pólo de esquerda" –, depois de afastado do governo, cassado e processado pelo Supremo Tribunal Federal, em denúncia apresentada pelo Procurador Geral da República, circula pelo Brasil e pelo mundo afora como lobista de interesses de grandes empresas nacionais e internacionais.
A recente reunião da OMC, em Genebra, expôs de forma cristalina a subordinação do governo aos interesses do agronegócio, comprometendo até mesmo a imagem que procurava ser cultivada de uma política externa independente e progressista. Como se isso pudesse ser possível, em meio às opções de uma política econômica – elogiadíssima por Lula – inteiramente controlada por um Banco Central sob o comando direto de executivos indicados por bancos internacionais.
O significado dessa verdadeira tragédia ainda não foi bem assimilado pelos diversos setores da esquerda que insistem em manter o seu apoio a Lula e seus partidos satélites. Sempre encontram as mais diferentes explicações e justificativas para as condutas do governo, mesmo quando ensaiam críticas.
Na falta de argumentos frente às evidências das opções preferenciais de Lula, optam sempre pela lembrança de que a volta dos tucanos poderia ser muito pior. Manifestam, até mesmo, muitas dúvidas sobre o que poderia ter sido feito de forma diferente. Expressam, dessa maneira, uma espécie de regressão intelectual ou abalo cognitivo. Podem alegar também a surrada razão ditada pela "atual correlação de forças".
No tocante à correlação de forças, a vitória eleitoral de Lula em 2002, em meio a sucessivas derrotas da direita e de seus candidatos liberais em todos os países da América Latina, com as exceções da Colômbia, do Peru e do México, deveria ser levada em conta. Bem como o próprio quadro internacional de expansão do comércio global e liquidez financeira que permitia (ao menos até meados do ano passado) uma razoável margem de manobra para mudanças importantes, conforme nos mostrou a vizinha Argentina.
É lógico que a coerência com um programa verdadeiro de mudanças implicaria enfrentamentos importantes com interesses estabelecidos.
Mas não seria esse o papel de uma esquerda, por mais cautelosa e prudente? O fato é que questões programáticas elementares, para o início de um processo de transformações estruturais em prol do mundo do trabalho, foram abandonadas, esquecidas ou mesmo renegadas. Pior: são as questões do mundo do capital que balizam o que passou a ser "o possível".
Mudanças substantivas na política macroeconômica; reforma tributária verdadeira; universalização, com qualidade, dos serviços públicos; fortalecimento da previdência social pública, como fator de seguridade social e de fortalecimento de mecanismos de poupança financeira estatal, sob controle social; reforma agrária para valer, e como suporte para a afirmação e prevalência de um modelo agrícola baseado na agricultura familiar, com estruturas de produção comunitárias e absorção de modernas tecnologias; além de mudanças no padrão dos meios de comunicação de massa, subordinados ao regime de concessões públicas, particularmente os canais de televisão aberta. Seriam exemplos de iniciativas programáticas, essenciais para colocar o país em uma rota de reformas, em prol do povo e do mundo do trabalho.
Mas tudo indica que a outrora esquerda se perdeu. Setores da vanguarda de movimentos importantes, como os dos bancários ou dos petroleiros, parecem muito mais interessados nos negócios dos seus fundos de pensão.
A acelerada financeirização econômica, em combinação com a aguda fragilização de mecanismos de seguridade e de solidariedade social, como é o caso das instituições de garantia de direitos sociais e igualdade de oportunidades, jogaram setores do movimento dos trabalhadores em um defensivismo que aponta para a atomização de suas bandeiras de luta e a perda da solidariedade de classe com os demais setores do mundo do trabalho.
A crise que vivemos, enquanto esquerda brasileira, em meio a um continente em mudanças, não é decorrente, portanto, de uma abstrata carência de projetos alternativos. Ela é fruto da posição política desses setores, que faziam parte da esquerda e que se perderam por completo em meio à mercantilização avassaladora que contamina a sociedade brasileira, sob a hegemonia dos valores e dos projetos das forças neoliberais.
Somente a reconstrução de um novo bloco de forças, não contaminado pela ideologia dominante, poderá criar as condições para a retomada das bandeiras da mudança e da esperança.
Paulo Passarinho é economista e vice-presidente do Conselho Regional de Economia do Rio de Janeiro.